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Desafiador. Esta é a palavra que define a experiência de subir o Huayna Potosí na Bolívia.
Para quem está buscando uma experiência diferente, esta é uma das melhores opções, especialmente se você está pensando em fazer um mochilão pela América do Sul.
Com seus 6.088m de altitude, o Huayna Potosí desafia aqueles que tentam subí-lo, jogando fortes rajadas de vento e neve contra seu corpo, baixando a temperatura ambiente para até -25ºC!
A montanha é considerada de nível fácil entre aqueles que estão acostumados com o esporte, no entanto, isso não significa que vai ser uma tarefa simples para qualquer um. Lá é onde você realmente vai sentir na pele o que é o ar rarefeito, que você ouvia durante suas aulas de física.

Dar 10 passos nunca foi tão difícil, assim como aqueles 2kgs da sua mochila parecem ter virado 20kg. Apesar de parecer loucura — e realmente é — o desafio e o sentimento de conquista valem a pena, mesmo se você não der conta de subir tudo, afinal, não é qualquer um que consegue chegar lá.
Então se você é uma pessoa que curte desafios, este post é para você.
Como é o processo para subir o Huayna Potosi
Obviamente, não é possível fazê-lo por conta própria, então o certo é contratar uma agência. Nós fomos com a Inca Land Tours em um passeio de 3 dias com tudo incluso! Alimentação, transporte, guia e equipamentos. Estes dias são divididos basicamente em: aclimatação com escalada no glaciar, subida à base alta, ataque ao cume.
Acertamos todo o pagamento ainda no Brasil e chegamos em La Paz 3 dias antes de iniciar o passeio. Visto que La Paz já está a 3640m de altitude, 3 dias seriam suficiente para nos aclimatar antes de encarar a montanha, pelo menos foi o que nós pensamos.
Um dia antes do passeio, fomos até a agência para assinar o contrato e ler todas as instruções de como se comportar na montanha, dicas para uma melhor experiência e passar um check-list de coisas que deveríamos levar.
Dia 1 – Aclimatação e escalada no glaciar
O dia começou ainda em La Paz, indo até a agência onde conhecemos o restante do grupo que subiria conosco e também fizemos a prova das roupas e equipamentos de neve.
Assim que tudo estava pronto, fomos até a van que vai nos levaria para a base baixa do Huayna Potosi, que de baixa não tem nada, pois ela já está a 4700m de altitude.

Ao chegar na região das montanhas ficamos malucos, pois nunca tínhamos visto tanta neve num lugar só.
Deixamos as malas no alojamento, pegamos os equipamentos de neve e fomos até o glaciar (geleiras). Lá aprendemos como andar na neve da montanha e recebemos diversas informações sobre como se comportar na montanha.
Em seguida, treinamos um pouco de escalada vertical num paredão de gelo. Foi neste momento em que começamos a questionar tudo e o que estávamos fazendo.
Caminhar na neve àquela altitude não era um problema tão intenso, afinal já estávamos a um tempo na Bolívia. No entanto, o treino da escalada foi algo completamente diferente.
Lembra que os 2 kgs de mochila pareciam ter virado 20kg? Pois é, 70kgs do meu corpo, pareciam ter virado 70 toneladas. A tarefa de quebrar o gelo com a piqueta e literalmente me puxar para cima, era algo completamente impossível. A falta de ar me impedia de fazer qualquer esforço extra e os braços começaram a latejar de dor, a ponto de eu não conseguir mais fechar minha mão em volta das piquetas.
Resultado, o único caminho era para baixo, então eu acabei descendo todo o paredão e voltei a pé para o alojamento por outro caminho.
Jantamos e fomos dormir lá pelas 18 horas, pois o dia seguinte começaria super cedo e precisávamos estar descansados.
Dia 2 – Subida à base alta
Neste dia fizemos uma trilha de aproximadamente 2 a 3 horas para chegar até a base alta, a 5.200m de altitude. Já fizemos trilhas muito maiores no Brasil, mas acontece que a altitude não chegava nem aos pés disso. O mais alto que tínhamos ido era no pico das Agulhas Negras em Itatiaia, que eram meros 2.790m de altitude.

Mas a experiência que tivemos no glaciar no dia anterior, tinha nos mostrado que a tarefa seria ridiculamente difícil. Para piorar a situação, as nossas mochilas com todo o equipamento chegavam a pesar 18kgs cada. Por conta disso, os guias acabaram oferecendo a opção deles mesmos carregarem nossas mochilas por um custo extra de 150 bolivianos.
Sem pensar muito, acabamos pagando, pois queríamos reservar todas as energias para o ataque ao cume no dia seguinte.

Demos início a subida e não demorou para o cansaço começar a bater. Não conseguíamos andar muito sem fazer uma pequena pausa para respirar um pouco de ar. De qualquer forma conseguimos concluir a subida no “tempo regular”.
Mesmo que ainda não fosse o pico, eu já estava super feliz. Afinal estávamos a 5.200m de altitude, com neve para todos os lados e até nos arriscamos a fazer um mini boneco de neve. Poderia dizer que se a aventura terminasse por lá, eu já me daria por satisfeito, mas eu estaria mentindo! Apesar da vista ser incrível e eu estar fisicamente no ponto mais alto da minha vida, eu queria mais.



Então recebemos todas as instruções de como seria o dia seguinte, comemos e fomos dormir às 18 horas, ansiosos para o dia seguinte.
Dia 3 – Subir ao cume do Huayna Potosi
Era 00:00 quando o nosso relógio tocou e acordamos para iniciar a subida final, mas desta vez só com a mochila de ataque para carregar somente o essencial. Água, snacks e óculos escuros.
20 minutos depois já estávamos saindo do alojamento, enfrentando um frio de -5ºC. Era hora de por em prática tudo aquilo que havíamos aprendido nos dias anteriores. Tanto que a questão do fôlego nem era mais problema. Mas nesta fase vinha um novo e enorme desafio. O frio.
Cada metro que subíamos, o ambiente ia ficando mais e mais gelado. Após 3 horas de caminhada, nós atingimos 5500m e o frio, que já tinha baixado para -15ºC, começou a ficar insustentável. Foi aí que eu descobri que frio em excesso pode dar dor de estômago.

Paramos por alguns minutos para comer algo e descansar, mas aí as coisas começaram a desandar. Ainda faltavam 588m para chegar ao cume e o relógio estava contando. Tínhamos que atingir o pico no máximo até 6:30, pois depois disso, o sol começaria a derreter a neve, tornando maior o risco de deslizamentos.
Fizemos as contas e não estávamos muito confiantes de que daria tempo suficiente, então resolvemos dar meia volta e retornar à base alta, o que levou menos de 1 hora. Sim, a descida é muito mais rápida.

Aguardamos o restante do grupo (os que seguiram em frente e foram até o cume) retornar e por volta das 8 já estávamos indo em direção à base baixa.
Desta vez, nós mesmos carregamos as malas, pois a descida exigia menos esforço e em menos de duas horas já estávamos de volta à base baixa arrumando tudo para voltarmos à La Paz.
Dicas para subir o Huayna Potosi
Bom, não pudemos sentir o gosto da glória e conquista de atingir o pico da montanha, mas acho que para quem estava fazendo isto pela primeira vez, nós fomos muito bem!
De qualquer maneira, aprendemos diversas lições que vou listar aqui para que você não repita os mesmos erros, aumentando bastante as chances de você chegar ao topo!
- Subir uma montanha não é só questão de preparo físico: Não importa o quanto você levanta no supino ou quantos kms você aguenta correr. A altitude exige muito mais de um bom preparo psicológico, habilidade de controlar a sua respiração e ritmo.
- Faça escolhas inteligentes: Quando decidimos subir, compramos blusas térmicas (base layer) específicas para a ocasião. No entanto, eu quis economizar comprando a base layer mais barata com o pensamento de “acho que dá” e deu no que deu. Então escolha a base layer de acordo com a temperatura que ela foi feita para suportar e não somente pelo preço.
- Não use camelback: O ideal é usar garrafas com um bocal largo. A temperatura é tão baixa que se você usar um camelback, a água vai congelar dentro da mangueira e você vai ficar desidratado.
- Faça uma boa aclimatação: São Paulo está a 760m acima do nível do mar. O choque para quem chega na Bolívia é absurdo e a dor de cabeça é instantânea. 3 dias não foram suficientes, então se você pretende subir o Huayna Potosi, programe-se para chegar na Bolívia pelo menos 5 dias antes.
- Soroche: Se você pretende tomar este remédio, faça isso antes antes mesmo de chegar na montanha. Não vai adiantar nada tomar depois que já estiver sofrendo com o mal de altitude.
O que levar na subida ao Huayna Potosi

- Papel higiênico
- Garrafa d’água de boca larga. A nossa era de 1.5L e foi suficiente.
- Aquecedores de mão
- Head lamp (lanterna de cabeça)
- Snacks (doces de preferência). Quanto mais calórico melhor! Você vai precisar de muita energia
- Câmeras, DSLR são muito pesadas, prefira uma GoPro ou somente o celular mesmo
- Baterias extras. Não há energia no topo da montanha, então leve uma bateria extra para carregar sua câmera
- Calça fleece
- Blusa fleece
- Luva fleece
- Bota de hiking impermeável ou bota de neve
- Meias para neve
- Luva (segunda pele) para colocar por baixo da luva fleece
- Óculos de sol
- Neck tube ou uma pescoceira
- Calça base layer
- Camiseta base layer (manga comprida)
- Touca fleece ou polartech
- Mochila de ataque (15-20L)
Dica: Não ache que é exagero porquê você está cozinhando na hora da prova da roupa. Quando estiver exposto ao vento e -15ºC você vai perceber que foi a decisão certa.
Dica 2: Use aquecedores de mão para deixar junto do seu celular. Baixas temperaturas tendem a drenar a bateria ou até mesmo impedir o funcionamento dele. Então coloque-os junto do seu celular para conseguir tirar aquela selfie no topo da montanha!
Itens opcionais
Se você tiver estes itens, poderá levá-los. Caso contrário, não gaste dinheiro comprando, alugue com a empresa, pois será muito mais barato!

- Calça de neve
- Saco de dormir para temperaturas de até -15ºC ou menos
- Jaqueta de neve
- Luvas para neve
Contratar um seguro viagem
Por mais que a agência te forneça uma boa experiência e muitas vezes até um seguro, não dá para saber qual o nível dele e o atendimento que você vai ter caso precise de alguma assistência no país.
Então é importante contratar um seguro viagem por conta própria, nem que seja somente para os dias que você vai fazer a subida à montanha. Espero que você no final me xingue porque não precisou usar, mas pelo menos protegido você estava!
Além disso, por conta da pandemia, o país também está exigindo a apresentação de um seguro viagem que cubra todas as despesas referentes ao covid-19.
Para contratar o seu seguro viagem, você pode acessar a seguros promo, que inclusive, acessando por aqui você ganha 5% de desconto com o cupom TRIPSALOPOBRE5 e pagando no boleto ou PIX, você ainda ganha mais 5%!
Considerações finais
Enfrentar a altitude é algo muito mais complicado do que você pensa. Tanto é, que até dormir se torna uma tarefa complicada. Dores de cabeça, falta de ar irão e talvez até enjoos podem te acompanhar durante os 3 dias na montanha.
Além disso, você vai ficar sem tomar banho durante as duas noites e as condições sanitárias, se é que vocês me entendem, não são as melhores!
Então não se sinta um fracassado caso não consiga alcançar o topo na primeira tentativa, isso não é para todos! E não estou falando isso porque sou um dos que não conseguiu, mas porque já me vi na posição de “fracassado”.
De qualquer maneira, esta é uma das aventuras que com certeza iremos repetir e espero que daqui um tempo eu possa atualizar este post contando como foi vencer a montanha!

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